
Casal se divide nas tarefas
Para quem aprecia uma culinária variada e até exótica, tem um motivo a mais para chegar no sugestivo “Tiosco El Chalo”, um ponto localizado em frente a parada dos velhos ônibus que saem diariamente rumo a Melo no Uruguai. Tudo acontece numa pequena peça. Ali o casal que se divide nas tarefas, prepara o famoso churrasco com linguiça, o prato preferido dos castelhanos, frita os bifes a milanesa, este o preferido dos brasileiros, conversa e serve os clientes.
É nesse pequeno espaço, porém grande em atenção e carinho, que a falante Jorgelina Mara Silveira Garcia, 57 anos e o esposo, Nelson Gomes (Chalo), 57 anos, não menos falante, mas um pouco mais reservado, atendem a todos os gostos e vontades.
O cliente se acomoda em uma das mesas, num espichado em frente à peça. Ali degusta a culinária da casa, regado com cerveja do Uruguai e, ainda, pode observar a frota de ônibus que fazem lembrar célebres filmes mexicanos ou cubanos de outros tempos.
O local singelo, mas com atendimento de cinco estrelas, é frequentado por pessoas de todas as classes sociais, desde estancieiros até assentados. São 24 anos de trabalho, recorda Mara. Ela assim como Chalo fazem de tudo, desde salgados até os doces. Mara conta que inclusive as abóboras que vão parar na panela, são plantadas por ela.
Na churrasqueira, uma das iguarias é a carne de capincho. Em outros tempos o “Tiosco El Chalo” ficou conhecido pelos bifes e outros preparados de capincho.
Os motoristas e cobradores das empresas de ônibus que fazem a linha para o país vizinho são os fregueses mais assíduos. “Isto aqui é uma união”, Mara diz convencida, enquanto Chalo de guardanapo no ombro senta a mesa de um cliente para prosear.
Enquanto Mara vai falando sem parar, apontando as proezas no fogão e no trato com os clientes, Chalo entra na conversa, para sentenciar que também pega no batente parelho com ela.
Comunicação é a ferramenta
Em tempos de crise, o “Tiosco El Chalo”, se mantêm imune a escassez de clientes. E o casal não faz por menos para merecer o sucesso. Para eles não basta apenas o lucro, mas também a atenção e o carinho com o cliente. “Eu trato todos da mesma forma, mesmo que não vá comer ele é tratado igual, como diz o ditado paga se quiere”, revela Mara. E, logo, emenda ao dizer que “ninguém nos deve”.
Aliado ao atendimento simples, porém carinhoso, no “Tiosco El Chalo” o freguês encontra churrasco, lingüiça, carreteiro, bifes, outros tipos de comidas, doces caseiros e o famoso alfajor a moda uruguaia. “Tudo é feito por nossas mãos”, acentua Mara.
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