quinta-feira, 19 de março de 2009

Pastel e torta frita a moda antiga


Nilza e Ana percorrem o comércio para distribuir os produtos


O sol ainda não nasceu e elas já estão de pé. Há nove anos que Ana Nery Rodrigues e Nilza Barreto levantam às 5h30min para o trabalho. O dia começa com o preparo dos apetrechos para os pasteis e as tortas fritas (conhecida roda de carreta no Brasil). A massa dos produtos é caseira. Esse é o diferencial da dupla de Aceguá, já que hoje o que mais se encontra em outras cidades são pasteis feitos com massa industrializada.
Tudo é feito no dia mesmo, o freguês pode degustar as iguarias bem fresquinhas. Quem em Aceguá não conhece as duas, que são conhecidas como as gurias dos pasteis.
Nilza, 65 anos, nasceu em Cerro Largo, no Uruguai. O sotaque castelhano é sua marca registrada. Ana Nery, 52 anos, é brasileira. A parceria começou há nove anos e nunca mais se desmanchou.
Ana Nery recorda que a falta de oportunidades de trabalho as motivou a investir no negócio. Ela lembra que antes vendiam bem mais os produtos em função do câmbio que era mais baixo. No entanto não se queixa das vendas atualmente.
Até às 8h30min elas vendem os pasteis, tortas fritas e café preto em um ponto na rua 504 onde tudo é preparado. Ali o freguês chega e encontra o pastel quentinho, recém saído da frigideira. Para acompanhar, o tradicional café preto. Além disso, o cliente conta com a simpatia e o bom acolhimento das gurias dos pasteis.
Às 9h, Nilza e Ana Néri com cestos de pasteis, tortas fritas e o garrafão de café em punho saem para as ruas de Aceguá. Elas distribuem os produtos no comércio. Em geral, retornam com a cesta e o garrafão térmico vazio.
As gurias dos pasteis são exemplo para quem quer driblar a crise e a falta de emprego. Criatividade e persistência são os ingredientes dessas duas lutadoras.

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